Uma rapidinha, Rapidinho

Uma rapidinha. rapidinho!

Nos tempos atuais é impossível termos em mente uma percepção sobre o desenvolvimento de forma profunda do humano que não venha da cultura clássica, ou seja, dos tempos de um passado que em termos de comportamento não está tão distante de nós. Porém em contrapartida, temos um arroubo na cultura da informação que nos deu uma performance de permear o campo da informação e da troca de forma eficazmente ligeira e por vezes, fugaz.

A interpretação dessa cultura clássica não é de se excluir na forma em que lemos os tempos atuais e principalmente a forma de nos relacionarmos em tempos de internet, corona vírus e tudo o mais que nos incita a um cenário onde a iteração virtual passou a ser o grande astro rei em tempos de era de Aquário.

Ao se rejeitar a busca por dados de base clássica de como eram os hábitos antes da internet por exemplo e sua funcionalidade no quesito relação, seja ela com você mesmo, com seu vizinho ou seu parceiro (a), parece uma grande perda de tempo frente a fluidez e rapidez atual de como nos relacionamos inclusive para nos informamos de coisas que até então possamos considerar de suma importância para nós.

Essa velocidade dos tempos atuais em propagar informes e da qualidade de reduzir em poucas linhas, tópicos e palavras o tamanho dessa informação já condensada e resumida para um melhor aproveitamento do tempo e da velocidade em que se consome algo, pode-se por assim dizer, também reduz o próprio aprendizado e a pratica de alguns insights do dia a dia, e até mesmo o amadurecimento de diversos aspectos sobre si e frente ao outro e ao universo inteiro.

Sentimos nesse universo de mar de informação e inquietação de consumo, uma apressada forma de se ter tudo em tempo hábil, com lógica e racionalidade de uma máquina e uma eficácia tal que desconstruímos o que sentimos sobre o que se tem em mãos, e não somente em se tratando de informação, mas também alargando esse funil e trazendo nossas experiências de vida.

Venho lhes dizer que, não é possível ter lógica e razão aplicadas se não houver também inclusão da emoção e do sentimento dentro da solução de algo em vida, seja a situação um problema, um aprendizado ou o que quer que seja que experiencie na existência humana, segundo o neurocientista Prof. António Damasio, que se dedica aos estudos do cérebro com as relações das emoções humanas.

Tal rapidez que nos é dada hoje em dia por diversas formas de consumo dos tempos atuais, que não é algo ruim em si, mas que pode gerar superficialidade por exclusão de diversas etapas, e uma delas é justamente o que se sente em relação ao que se vive, afinal, o universo do sentir, das emoções e do cultivo dos sentimentos ficou desafiado e defasado frente um universo que prioriza a forma de pensar e seu poder de rapidez em raciocínio de lógica, justo a energia da lógica e raciocínio estabelecidos pelo patriarcado, excluindo-se o sentir.

Vou traçar um paralelo entre estas velocidades que acredito que se comunicam e se conversam, como, a velocidade da informação, a velocidade das relações e a velocidade das interações, sejam elas também e não somente sexuais.

Numa entrevista para a Isto É, o sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman diz que “Os tempos são ‘líquidos’ porque tudo muda tão rapidamente. Nada é feito para durar, para ser ‘sólido’.” E também afirma que:

“A velocidade, no entanto, não é propícia ao pensamento, pelo menos ao pensamento de longo prazo. O pensamento demanda pausa e descanso, “tomar seu tempo”, recapitular os passos já dados, examinar mais de perto o ponto alcançado e a sabedoria (ou imprudência, se for o caso) de o ter alcançado. ”

Compartilho destes pensamentos de dois estudiosos de distintas áreas e numa troca em forma de pensamento livre sobre estas velocidades (de informação e relacional) e sobre o cérebro eficaz de lógica e quase isento de emoções a nível de experiência por um simples fator que determina o que faço em meus trabalhos com o Tantra, que é a cadência, a habilidade de se ter o tempo ao que se pratica.

Antigamente exigia-se muito tempo, proximidade aos poucos, aprofundamento por etapas, incursão de todo um modo de vida, e não pode ter-se para si através de 5 ou 10 tópicos como se ter uma relação ideal, um orgasmo ideal, um homem/mulher ideal, se não houver um longo caminho para dentro de si que culmine por extensão até o outro(s). Os tópicos podem orientar, obviamente, e até mesmo “encurtar” o caminho que seja o seu melhor trajeto, como já vem acontecendo na velocidade descomunal de propagação das informações, mas se não houver intercurso dentro do que se quer, as aguas onde se banham serão sempre rasas.

Se ao modo antigo não estudarem a si mesmo, com atenção e didática diária, não se conheceram a fundo para saberem quem são e o que querem. Se não aprenderem a fundo sobre algum assunto que lhes interessa, correm o risco de obterem informação superficial sobre qualquer tema. Se não estão dispostos a cumprirem etapas em mudarem a forma com que sentem suas emoções ou até mesmo seu prazer, jamais terão seus corpos de forma sublime e completa, e friso aqui com “seus corpos”, os aspectos e vários níveis dele.

A liquidez social defendida pelo sociólogo Bauman, traça um paralelo frágil onde essa mesma fluidez e rapidez em se estabelecer uma conexão seja tão amena quanto segurar firmemente a água. Não há nada ali para segurar, não há nada ali que seja solido para sua satisfação tátil, ou para sua mente que negligencia o que seu corpo sente e não o interpreta com a mente lógica.

Quer viver a vida de um Tântrico? Quer se relacionar com a consciência de um Tântrico? Quer sentir prazer como um Tântrico? Sente-se, respire, primeiro observe e sinta antes de levantar-se e seguir para qualquer direção, pois há muitas. E acredite, nenhum destes caminhos podem ser equivocados ou errôneos se você se sente, e, por etapas, busca todo conhecimento que lhe for disponibilizado, a nível prático e intelectual. Não encurte o caminho para si, aproveite cada espaço de tempo, cada curva entre um membro e outro, cada gosto, cada célula e cada cheiro. Aprenda sobre si, tenha calma e saiba que a potência da semente é sempre ser a árvore.

Não acelere o espaço entre você e seu mundo, eles irão se encontrar caso seja esse seu caminho de busca, aproprie-se de você em todo seu potencial e tempo, quanto maior intervalo entre você e seu caminho, maior sua vida será, e não em termos de longevidade, mas em sentido de presença. Não se acelere por ansiedade, o encontro é inevitável.

Por: Sasha Cali

Rua Loefgren, 1291 – Vila Clementino, São Paulo – SP, 04040-030 | Telefone: 11 94468-7336 | Email: tomdicarvalho@gmail.com

© 2022 Desenolvido por Wiaweb Webmasters